Sexta-feira, Julho 29, 2005

Não sei porque, mas acho que tem alguma coisa em mim que atrai gente, digamos, não muito comum. Os bêbados gostam de conversar comigo, os malucos gostam de fingir que conversam comigo, enfim. Dessa vez eu fui cair nas mãos (no bom sentido) de um médico um tanto quanto não-usual.

O cara é uma mistura de clínico geral-psicólogo-hippie saudosista-aristocrata...o que quer que isso possa significar. Comecei a notar isso quando cheguei lá e notei que ele se vestia com roupas feitas com fibras quase naturais - sim, eu noto bastante na roupa das pessoas, mas não, não sou patyzinha fútil. Além disso, ele já tem uma figura meio esquisita - altão, magrelo e meio careca, sendo que o cabelo que ainda reeta é todo enroladinho e grisalho. Visualiza isso.

Logo que eu entrei no consultório, percebi o fundo de música clássica no ambiente todo, e assim que olhei para a mesa de trabalho dele vi uma daquelas garrafinhas de vidro de água mineral, aquela verde...coisa de fresco, sabe?

Enfim, depois de eu ter notado isso, começou a consulta. Eu tava lá pra falar da minha rinite, que me enche o saco. Qual não foi a minha surpresa quando ele começou a relacionar a minha rinite com a minha necessidade de sensação de liberdade. (????) Aí ele começou a explicar o que eu poderia fazer pra desatrelar essas duas coisas, meio sessão de terapia MESMO.

Ele ainda tentou me convencer de que eu conseguiria sim diminuir minha ansiedade pelo início das aulas, e que isso melhoraia, sim, minha rinite. Mas acho que aí ele já queria demais. Daqui a pouco ia querer começar a analisar todos os meus problemas mentais e ia acabar se vendo sem tratamento adequado. Achei melhor parar por ali.

Ah, sim. Ele acabou me receitando um remédio pra alergia. Um de verdade, e não só "procurar tratar a minha necessidade de liberdade".

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Segunda-feira, Julho 25, 2005

Orgulho do papai!

Tô me sentindo tão importante! Publicaram um e-mail meu na íntegra na seção de cartas da revista Carta Capital dessa semana, e, melhor ainda, opinando sobre a reportagem de capa.

Se o meu e-mail for escolhido o melhor do mês de julho (olha a pretensão da pessoa...)eu ganho uma Montblanc. \o/ Chi-quér-ri-mo! Imagina a onda que eu vou tirar por aí com uma Montblanc na mão...

Leitores da Financial Times, aguardem. Os próximos contemplados pelas minhas análises políticas interessantíssimas serão vocês.E na língua do Tio Sam, ainda por cima.

Como eu sou boba, tô me sentindo A jornalista aqui. =P

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Sexta-feira, Julho 22, 2005

Militante. De bandeirinha, button, camiseta e santinho!

Pessoas, eu tento. Juro que tento não falar sobre política aqui no blog, já que é pouca gente que tem interesse nesse assunto, mas não dá. Os parlamentares desse país me chamam cada vez mais atenção, e às vezes parece que pedem pra ser motivo de piada nas conversas entre amigos, em rodas de bar ou em blogs.
Não escrevi sobre a cueca recheada de dinheiro, sobre como foi patético o depoimento do Delúbio na CPI, respondendo a todas as perguntas que lhe eram feitas que elas não seriam respondidas de verdade, nem sobre as malas apreendidas com um deputado no aeroporto que estavam cheinhas de dinheiro do dízimo da Universal - quem ainda será otário o suficiente a ponto de dar parte do seu salário pro bispo Macedo, Crivella e afins?

O fato é que não tá dando mais pra segurar - quando alguma coisa me impressiona, positiva ou negativamente, eu preciso escrever sobre ela. E ontem essa minha tentativa de não postar mais sobre política foi por água abaixo, depois de eu ter assistido a uma entrevista no Programa do Jô - que, por sinal, está tirando um bom proveito dessa crise política.

Depois de entrevistar o MV Bill e um atropólogo que, em conjunto, escreveram um livro sobre a vida de jovens envolvidos no tráfico, foi a vez do "direito de resposta" do deputado Jair Bolsonaro, do PP, que havia sido citado um dia antes numa mesa redonda de jornalistas no Programa do Jô. Não sei se todos conhecem o tal deputado, acho difícil, mas se alguém assistiu ao primeiro pronunciamento do Zé Dirceu na Câmara depois que ele deixou de ser ministro (não fui só eu, fui?), o dep. Jair Bolsonaro é aquele que no meio do discurso bradou "Terrorista, você é um terrorista! Sequestrador!", enquanto mostrava uma embalagem com a palavra "MENSALÃO" bem grande e chamativa . Detalhe: o PP é um dos partidos acusados de ter recebido o suposto mensalão.

Vale colocar aqui uma observação: o deputado Jair Bolsonaro é capitão da reserva, ou seja, tem todas aquelas características comuns à maior parte dos militares - com ar de "tough guy", faz parte da extrema direita conservadora, saudosa da época do Golpe, metido a macho e anda sempre com o nariz lá no alto.

Pois bem, o deputado começou a contar algumas histórias da época da ditadura, nas quais ele tentava justificar a tortura, dizendo que os rebeldes guerrilheiros, a exemplo do Zé Genoíno, faziam horrores aos pobrezinhos dos militares - houve até o caso de um colega dele que recebeu um tiro na boca, vejam só. Por isso, na opinião dele, era óbvio que os suspeitos - ou seja, que não tinham sua participação confirmada - de rebeldia deveriam ser torturados. O que aconteceu a torto e a direito, como todo mundo aprendeu no colégio.
Até aí eu já esperava que ele fosse chegar, afinal o Golpe foi a época da glória para os militares. Enquanto o Jô tentava convencê-lo, em vão, de que a tortura e a censura são injustificáveis em qualquer situação, ele começou a manifestar mais opiniões - ainda mais conservadoras e irreais.

Primeiro, o Jô contou a história de um caso que ocorreu em uma das operações policiais numa favela aqui do Rio. O caso foi: dentro do Caveirão, blindado da PM, estava um policial à noite em uma incursão na favela. De repente ele viu um menino com algo na mão vindo em sua direção, e achou que era uma granada. Só não atirou porque, afinal, o carro era blindado. Aí o deputado diz: "E se fosse uma patrulha normal? O policial deveria atirar, na primeira suspeita, mesmo sem conseguir ver direito o que o menino tinha na mão." Só que há um porém nessa história. O que o menino tinha na mão, realmente, era um rádio. AGora imaginem vocês se o policial atirasse; seria mais um daqueles casos de jovens mortos na favela sem ninguém saber o que aconteceu.

Depois, o tal deputado ainda se pronunciou CONTRA o desarmamento e a favor do FECHAMENTO do Congresso, e CONTRA a fidelidade partidária, o que logo se justificou quando o Jô leu uma longa lista com os partidos dos quais ele já fez parte - no mínimo uns oito. As opiniões dele, de tão ridículas, me levaram às gargalhadas em pouco tempo. Ainda tem gente que pensa dessa maneira tão atrasada?

OK, tenho que reconhecer, opinião interessante ele manifestou - só uma vez, deixo bem claro - ,quando disse que era a favor do fuzilamento do Fernando Henrique. Digam, pessoas, é o que todos nós, no fundo, sempre quisemos falar e fazer, mas não podemos, por razões óbvias.

Confesso que depois da entrevista fui dormir com meus dedos coçando pra escrever sobre ela. Guardem bem esse nome: Jair Bolsonaro. Vou começar a dar minha contribuição para tirar essa gente idiota da Câmara, fazendo campanha contrária. Não vai ajudar muito, eu sei, mas, ah! me deixem achando que tô fazendo minha parte, vai.


**Enquanto isso, a CPI continua dentro da normalidade (se é que isso é possível). Os depoentes não respondendo nada, enquanto o Ônyx Lorenzoni, do PFL, agindo como se fosse um agente do FBI (percebam, ele é todo cheio da pose de investigador - revoltado com a corrupção. Se não fosse do PFL até me enganaria.).
E pra finalizar, já que o post está enorme, vale dizer que é uma boa assistir os depoimentos da CPI dos Bingos e do Conselho de Ética. Na primeira, essa semana foi lá um procurador hilário, que roubou a cena; no segundo, foi a vez do depoimento da ex-mulher do líder do PL, deputado Valdemar da Costa Neto, uma socialite que mais dava pra comediante - divertiu todos os deputados. Impagável.

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Terça-feira, Julho 19, 2005

Trote

Pois é.

Semana passada foi o tão esperado dia de inscrição lá na facul. \o/ Pra não quebrar a tradição do pré-trote, ficamos bebendo no bar do Manél, e quando a grana acabou nos pintaram e fomos pedir grana - meio que uma prévia light do que será nosso trote.

Engraçado, em mais ou menos uma hora sendo quase atropelada no Centro da cidade pra conseguir algumas moedinhas dos afortunados motoristas, consegui um dinheirinho razoável: deu pra financiar umas cervas a mais, pra pagar minha passagem de volta pra casa e ainda me sobraram uns reaizinhos. Tá certo que o discurso "Uma contribuição contra o mensalão, pra Nacional de Direito..." ajudou bastante - não entendi como, mas o povo ainda acredita no futuro dos universitários do país -, mas convenhamos, quantias assim em uma hora tem muita gente que não ganha trabalhando.

Sendo assim, tô bem esperançosa no que diz respeito a arrecadação de R$ 150 na semana do trote pra os veteranos....se bobear sobra até o mesmo pra mim, o que renderia um excelente fim de semana.

Até que essa história de trote não é tão ruim como dizem alguns...

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Quarta-feira, Julho 13, 2005

Pensamento fútil-superficial do meu lado paty

Comprar roupa pra mim é um desafio. Adoro ir às compras, mas preciso dispor de muita disposição se quiser encontrar algo específico, tipo ir comprar uma calça jeans na cor tal e do estilo tal, com o corte tal.

Não que esteja acima do peso nem nada, pelo contrário, queria até engordar um bocadinho. Acontece que pessoas baixinhas, como eu, têm a existência ignorada pela indústria têxtil de calças. Eles pensam que todo mundo tem a sorte de medir 1,70 m - contra os meus míseros 1,62 m. Ou seja, quando saio pra comprar uma calça, não basta ir a qualquer loja - tenho que achar uma loja que faça bainha na calça, afinal, não rola ter todas as calças com a barra cortada.

Se você chegou até este ponto do post, deve estar se perguntando o porquê de escrever um post sem propósito algum como esse. Eu respondo. Pessoas, é a única maneira de descarregar meu stress, afinal, já ando esgotando minha cota de palavrões, o que não é muito bonito para uma menininha delicada e sensível como eu. E hoje esse stress atingiu cotas altas, já que foi um dia de compras.

Milhões de coisas me irritam quando vou às compras, além do caso da barra da calça. Pra começar, as vendedoras. Você entra na loja, nem começa a ver o que eles tem pra te oferecer e lá vem uma, com um sorrisinho amarelo no rosto e vozinha fina:

- Boa noite, meu nome é Fulaninha, qualquer coisa, hein, só avisar, tá?

Blergh. Não é porque você entrou na loja que você tem obrigação de comprar alguma coisa dela, você tá lá analisando as coisas. Esse costume das vendedoras faz até as vendas caírem, acompanhe minha tese:
Você sabe que, se entrar na loja, a vendedora vai falar com você. E você também sabe que as vendedroas fazem uma fila para atender os clientes, já que ganham comissão. Se você entrar na loja, ela falar com você, e você não comprar nada, ela vai perder a vez.
No meu caso, o que acontece é que eu fico com peninha da vendedora perder a vez. Poxa, coitadinha! Aí só entro na loja quando tenho a certeza de que vou comprar alguma coisa lá. O que teoricamente diminui drasticamente a possibilidade da loja lucrar, visto que dentro dela podia ter algo que me agradasse.

Não vou continuar senão o post fica enorme e mais chato ainda, mas tive uma idéia. Se os leitores do blog (simmm, eu sei da existência de vocês. Sei que não é só o Luiz que lê meus posts sem-noção...) comentarem a favor, faço uma série com as 10 COISAS QUE EU ODEIO EM DIA DE COMPRAS. Caso ninguém comente a respeito, bom, aí...aí é surpresa o que eu vou fazer. Hehehe.

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Terça-feira, Julho 12, 2005

Dúvida cruel

Eu queria, de uma vez por todas, entender o que se passa na cabeça de vcs homens.
Vc sai, conhece uma gatinha, ela dá mó mole pra vc... Vc pega. Agarros daqui, agarros de lá. Ela te achou uma delícia e a recíproca é verdadeira.
Lá pelas tantas da madrugada, depois de vários copos de Sex on the Beach, Pinna Colada e sabe-se lá mais o que, vcs dois saem da boite cheios de álcool na cabeça e continuam a pegação que esquenta no carro dos seus amigos da carona... Mas, exatamente por estar tão bêbado (a) vc prefere parar a brincadeira por ali e dar continuidade num outro dia, com mais disposição. Então, pede o telefone dela, dá o seu e pede para que ela te ligue...
Após várias tentativas frustradas suas em falar com ela, ela retorna só no domingo à tarde querendo te ver... E vc, extamente nesse momento está impossibilitado (ñ vem ao caso pq) de encontrá-la. Mas, vc descobre que ela teve um pequeno acidente com o celular, por isso ñ atendeu suas ligações.Aí, no domingo `a noite, vc retorna pra menina em questão :

- "Oi, quem fala" e escuta
- "Deseja falar com quem?"
- "A, com a Patrícia, por favor"
- "Ah, é engano..."
- "Engano?"
- "É, engano... E desliga..."

Ok, ok,,, não foi nada simpático escutar isso e logo vários monstros devem estar se passando na sua cabeça: "será que ela tem namorado? , não gostou de mim, ñ quer me ver..." Mas vc ñ sabe o que está acontecendo do outro lado da linha...
Pois bem, eu sei. Foi uma das amigas da Patrícia que atendeu o tel e como a ligação estava ruim e o identificador de chamadas estava quebrado ela, sabe-se lá pq, disse que era engano...
Quando a Patrícia retorna à mesa e é avisada de que alguém ligou e retorna para o número, escuta um sonoro - "Ninguém aqui ligou para esse número não!".

A partir dái, em volta de tantas confusões, a Patrícia resolve mandar um email pra vc explicando a situação. Adiciona vc no msn, no orkut, no irc, no icq, manda torpedo, email de novo, liga novamente... E vc? NADA.

Pergunto eu PQ?????
Pq ñ atender a ligação, responder o email , retornar o torpedo e tentar entender o que aconteceu?

Pq os homens, assim como as mulheres, acham que tudo gira em torno do umbigo deles e ficam todos cheios de dedos com certas situações e, para "sair por cima" nem escutam o outro lado?
Agora, a Patrícia está sentada pensando: "Cara, que pena... Eu queria realmente dar continuidade aos amassos, ou a uma amizade, ou a um affair... Mas não vou retornar pq vai que o menino tem namorada? vai que eu vou atrapalhar?, vai que ele ñ gostou de mim? Me achou muito "saídinha"? Ai, ñ devia ter feito isso, nem aquilo, bem que minha mãe me avisou..."
E acaba tendo a mesma atitude que o menino... Deixa pra lá.
E vcs nunca mais se vêem na vida e deixam de curtir várias coisas legais...

No fundo eles e elas são diferentes, mas com muitas coisas em comum. E retorno a um outro tópico que escrevi aqui há tempos: parece que todo mundo tem medo do outro, medo de fazer papel de bobo, de pagar mico, de não ser correspondido..
Uma pena.... Acho que eu mesma respondi minha primeira pergunta.

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Once down, always down...

Acabei de ler uma notícia, em Carta Capital, que me deixou os cabelos em pé.

Dia 26 de maio o Congresso paraguaio aprovou uma lei dando autorização ao Pentágono americano pra instalar a primeira base permanente na América do Sul. A lei é vigente até dezembro de 2006 e é prorrogável automaticamente. O primeiro contingente de soldados será de 400, mas poderá ser aumentado para até 16 mil. (!!!) Detalhe : não há missão definida pra toda essa gente.

Enquanto Brasil, Argentina e Uruguai se negam a ceder imunidade diplomática aos militares dos E.U.A., o Paraguai não hesitou em concedê-la . Ou seja, os delitos dos soldados norte-americanos não poderão ser investigados, nem Washington poderá ser porcessada no Tribunal Penal Internacional.

O fato é que as tropas estadunienses poderão entrar e sair , transportar armas e equipamentos e atuar em qualquer parte do território sem novas autorizações.

Resumo da opéra: os soldados americanos vão poder fazer a merda que bem entenderem no território paraguaio, correndo apenas o risco (nulo) de serem punidos pelas leis dos EUA. E o Brasil terá, mais ou menos, algo como uma fronteira com os EUA, o que não é muito, digamos, agradável.

Passa o tempo e o Paraguai não aprende: continua cachorrinho dos interesses estrangeiros.

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Segunda-feira, Julho 11, 2005

Enquanto isso, na CPI...

Separados no nascimento...


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Eu sabia que ele me lembrava alguém conhecido....

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