Pessoas, eu tento. Juro que tento não falar sobre política aqui no blog, já que é pouca gente que tem interesse nesse assunto, mas não dá. Os parlamentares desse país me chamam cada vez mais atenção, e às vezes parece que pedem pra ser motivo de piada nas conversas entre amigos, em rodas de bar ou em blogs.
Não escrevi sobre a cueca recheada de dinheiro, sobre como foi patético o depoimento do Delúbio na CPI, respondendo a todas as perguntas que lhe eram feitas que elas não seriam respondidas de verdade, nem sobre as malas apreendidas com um deputado no aeroporto que estavam cheinhas de dinheiro do dízimo da Universal - quem ainda será otário o suficiente a ponto de dar parte do seu salário pro bispo Macedo, Crivella e afins?
O fato é que não tá dando mais pra segurar - quando alguma coisa me impressiona, positiva ou negativamente, eu preciso escrever sobre ela. E ontem essa minha tentativa de não postar mais sobre política foi por água abaixo, depois de eu ter assistido a uma entrevista no Programa do Jô - que, por sinal, está tirando um bom proveito dessa crise política.
Depois de entrevistar o MV Bill e um atropólogo que, em conjunto, escreveram um livro sobre a vida de jovens envolvidos no tráfico, foi a vez do "direito de resposta" do deputado Jair Bolsonaro, do PP, que havia sido citado um dia antes numa mesa redonda de jornalistas no Programa do Jô. Não sei se todos conhecem o tal deputado, acho difícil, mas se alguém assistiu ao primeiro pronunciamento do Zé Dirceu na Câmara depois que ele deixou de ser ministro (não fui só eu, fui?), o dep. Jair Bolsonaro é aquele que no meio do discurso bradou "Terrorista, você é um terrorista! Sequestrador!", enquanto mostrava uma embalagem com a palavra "MENSALÃO" bem grande e chamativa . Detalhe: o PP é um dos partidos acusados de ter recebido o suposto mensalão.
Vale colocar aqui uma observação: o deputado Jair Bolsonaro é capitão da reserva, ou seja, tem todas aquelas características comuns à maior parte dos militares - com ar de "tough guy", faz parte da extrema direita conservadora, saudosa da época do Golpe, metido a macho e anda sempre com o nariz lá no alto.
Pois bem, o deputado começou a contar algumas histórias da época da ditadura, nas quais ele tentava justificar a tortura, dizendo que os rebeldes guerrilheiros, a exemplo do Zé Genoíno, faziam horrores aos pobrezinhos dos militares - houve até o caso de um colega dele que recebeu um tiro na boca, vejam só. Por isso, na opinião dele, era óbvio que os suspeitos - ou seja, que não tinham sua participação confirmada - de rebeldia deveriam ser torturados. O que aconteceu a torto e a direito, como todo mundo aprendeu no colégio.
Até aí eu já esperava que ele fosse chegar, afinal o Golpe foi a época da glória para os militares. Enquanto o Jô tentava convencê-lo, em vão, de que a tortura e a censura são injustificáveis em qualquer situação, ele começou a manifestar mais opiniões - ainda mais conservadoras e irreais.
Primeiro, o Jô contou a história de um caso que ocorreu em uma das operações policiais numa favela aqui do Rio. O caso foi: dentro do Caveirão, blindado da PM, estava um policial à noite em uma incursão na favela. De repente ele viu um menino com algo na mão vindo em sua direção, e achou que era uma granada. Só não atirou porque, afinal, o carro era blindado. Aí o deputado diz: "E se fosse uma patrulha normal? O policial deveria atirar, na primeira suspeita, mesmo sem conseguir ver direito o que o menino tinha na mão." Só que há um porém nessa história. O que o menino tinha na mão, realmente, era um rádio. AGora imaginem vocês se o policial atirasse; seria mais um daqueles casos de jovens mortos na favela sem ninguém saber o que aconteceu.
Depois, o tal deputado ainda se pronunciou CONTRA o desarmamento e a favor do FECHAMENTO do Congresso, e CONTRA a fidelidade partidária, o que logo se justificou quando o Jô leu uma longa lista com os partidos dos quais ele já fez parte - no mínimo uns oito. As opiniões dele, de tão ridículas, me levaram às gargalhadas em pouco tempo. Ainda tem gente que pensa dessa maneira tão atrasada?
OK, tenho que reconhecer, opinião interessante ele manifestou - só uma vez, deixo bem claro - ,quando disse que era a favor do fuzilamento do Fernando Henrique. Digam, pessoas, é o que todos nós, no fundo, sempre quisemos falar e fazer, mas não podemos, por razões óbvias.
Confesso que depois da entrevista fui dormir com meus dedos coçando pra escrever sobre ela. Guardem bem esse nome: Jair Bolsonaro. Vou começar a dar minha contribuição para tirar essa gente idiota da Câmara, fazendo campanha contrária. Não vai ajudar muito, eu sei, mas, ah! me deixem achando que tô fazendo minha parte, vai.
**Enquanto isso, a CPI continua dentro da normalidade (se é que isso é possível). Os depoentes não respondendo nada, enquanto o Ônyx Lorenzoni, do PFL, agindo como se fosse um agente do FBI (percebam, ele é todo cheio da pose de investigador - revoltado com a corrupção. Se não fosse do PFL até me enganaria.).
E pra finalizar, já que o post está enorme, vale dizer que é uma boa assistir os depoimentos da CPI dos Bingos e do Conselho de Ética. Na primeira, essa semana foi lá um procurador hilário, que roubou a cena; no segundo, foi a vez do depoimento da ex-mulher do líder do PL, deputado Valdemar da Costa Neto, uma socialite que mais dava pra comediante - divertiu todos os deputados. Impagável.